Dia das Bruxas: De Onde Veio Esse Nome e o Que a Fé Católica Tem a Ver Com Isso?

Ilustração noturna do festival Samhain, mostrando figuras dançando sob a lua cheia com abóboras (Jack-o'-lanterns) e morcegos, representando a origem pagã do Halloween.

Outubro chega, e com ele uma enxurrada de decorações laranjas e pretas, abóboras assustadoras e referências ao “Dia das Bruxas”. Mas você já parou para pensar porque chama dia das bruxas aqui no Brasil? E, mais importante, qual é a verdadeira origem por trás dessa data que, para muitos, parece ser apenas uma festa importada?

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A resposta pode surpreender você: a história do Halloween está profundamente entrelaçada com a história da Igreja Católica. Vamos fazer uma jornada juntos para desvendar essa história, entender os símbolos e refletir com um olhar pastoral sobre essa celebração.

A Etimologia de Halloween: Uma Noite Santíssima

Tudo começa com o nome. “Halloween” é, na verdade, uma contração da expressão inglesa “All Hallows’ Eve“. Traduzindo literalmente: “Véspera de Todos os Santos“.

Sim, você leu certo! A famosa noite de 31 de outubro é, em sua origem cristã, a vigília da Solenidade de Todos os Santos, celebrada no dia 1º de novembro. A palavra “Hallow” é um termo antigo para “santo” (como na oração do Pai-Nosso: “hallowed be thy name” – “santificado seja o Vosso Nome”). Com o tempo, “All Hallows’ Eve” foi se encurtando na linguagem popular até virar “Halloween”.

Portanto, longe de ser uma data pagã em sua essência, o Halloween nasceu como um momento de preparação espiritual para celebrar a vida dos santos que nos precederam na fé.

E No Brasil, Por Que “Dia das Bruxas”?

Agora que entendemos a origem do nome Halloween, fica a pergunta: por que, ao trazer a data para o Brasil, ela foi batizada de “Dia das Bruxas”?

A resposta é mais cultural e de marketing do que teológica. Quando a festa começou a ganhar popularidade por aqui, principalmente através de filmes e séries norte-americanas, a figura mais marcante e “vendável” era a da bruxa. Os elementos folclóricos – chapéus pontudos, vassouras, caldeirões – eram o que mais chamava a atenção.

A tradução “Dia das Bruxas” foi a forma mais direta que o mercado encontrou para nomear um fenômeno cultural que não tinha uma raiz equivalente em nosso país. Diferente do que aconteceu com o “All Hallows’ Eve” na Europa, aqui a data chegou desvinculada de seu significado religioso original, destacando apenas seu aspecto lúdico e, por vezes, sombrio.

A História das Bruxas: Entre a Lenda e a Perseguição

Falando em bruxas, é impossível ignorar a carga histórica que essa figura carrega. Na tradição popular europeia, a bruxa era retratada como uma mulher que fazia pactos com forças malignas para obter poderes. Esse imaginário foi, infelizmente, amplificado por um período sombrio da história, inclusive dentro de contextos onde a fé foi distorcida.

A Igreja, em seu Magistério, sempre afirmou que a bruxaria, entendida como uma prática de magia que recorre a poderes demoníacos, é gravemente contrária à virtude da religião. No entanto, é importante separar a figura folclórica e literária da bruxa – que hoje vemos em contos infantis e decorações – das graves consequências da superstição e da perseguição injusta que ocorreram no passado. Um olhar pastoral nos convida a rejeitar qualquer prática que se oponha ao Deus vivo, mas também a lembrar que o julgamento e a condenação de pessoas pertencem somente a Deus.

Desvendando os Símbolos: Muito Além do Medo

Os símbolos do Halloween, ou do “Dia das Bruxas”, também têm histórias curiosas que vão além da simples assustação:

  • A Abóbora com Rosto (Jack-o’-lantern): A lenda irlandesa fala de um homem chamado Stingy Jack que, após enganar o diabo, foi condenado a vagar pela terra com um nabo oco com um carvão em brasa. Os imigrantes irlandeses chegaram aos EUA e descobriram que as abóboras, mais abundantes, eram perfeitas para a tal escultura. Simbolicamente, a luz dentro da abóbora pode ser vista como um lembrete da luz de Cristo, que brilha nas trevas do mundo.
  • O Caldeirão: Na cultura celta, era um objeto doméstico essencial. Na narrativa cristã, pode remeter ao “caldeirão” da provação e da purificação. É uma imagem poderosa de como Deus pode transformar até mesmo as situações mais “misturadas” de nossa vida em algo bom.
  • A Vassoura e o Gato Preto: A vassoura, instrumento de limpeza, foi associada às bruxas em lendas sobre voos noturnos. O gato preto, por sua vez, em várias culturas era visto como um animal de mistério. Para nós, católicos, esses símbolos servem como lembrete de que nossa “limpeza” deve ser interior (a da alma pela Confissão) e que nossa proteção vem do Senhor, e não de superstições com animais.

Como o Halloween Chegou ao Brasil e Qual a Nossa Postura?

O Halloween desembarcou no Brasil principalmente pela influência da cultura globalizada, via cinema, TV e internet. Tornou-se uma data comercial, com festas a fantasia e brincadeiras para crianças, muitas vezes concorrendo diretamente com o nosso Dia de Finados (2 de novembro).

E é aqui que reside o convite para uma reflexão mais profunda. Como católicos, somos chamados a ser “sal da terra e luz do mundo”. Em vez de simplesmente condenar ou aderir sem critério à festa do “Dia das Bruxas”, podemos resgatar seu sentido original.

1.  Celebre a Santidade: Use a véspera do Dia de Todos os Santos para falar sobre os santos na sua família ou paróquia. Faça uma festa onde as crianças se vistam de seu santo favorito, não de monstros.

2.  Viva o Tríduo dos Fiéis Defuntos: O período de 31 de outubro (véspera), 1º de novembro (Todos os Santos) e 2 de novembro (Finados) é um tríduo sagrado. É um tempo privilegiado para ir à Missa, rezar pelos entes queridos falecidos e visitar o cemitério. É a celebração da Comunhão dos Santos – a união espiritual entre nós, o Purgatório e o Céu.

3.  Transforme os Símbolos: Se for fazer uma decoração, inclua elementos da fé. Além da abóbora, que tal colocar imagens de santos? A luz das velas pode simbolizar nossas orações pelos falecidos.

Conclusão: Da Véspera à Celebração da Vida

Entender a dia das bruxas origem nos dá uma perspectiva incrível. O que hoje chamamos de Halloween começou como a “All Hallows’ Eve”, uma noite de preparação para uma das festas mais lindas do nosso calendário: o dia em que celebramos todos aqueles que alcançaram a Vida Eterna.

diferença entre Halloween e Dia das Bruxas no Brasil é, em grande parte, uma diferença de significado. Um perdeu sua raiz cristã ao cruzar o oceano; o outro resgata a beleza da nossa fé.

Portanto, neste final de outubro, não tenha medo de mergulhar no verdadeiro espírito da data. Em vez de focar no que é teneboso, celebre a luz dos santos. Em vez de lembrar apenas das bruxas do imaginário, lembre-se dos heróis da fé que nos mostram que a santidade é o caminho para a verdadeira alegria. Afinal, como nos ensina São João Paulo II, “Não tenhais medo!” Abrai as portas a Cristo e celebrai, com esperança, a vitória da vida sobre a morte.

Leia oa artigo completo e detalhado sobre o Halloween e entenda se Cristão Pode Comemorar Halloween? Origem Pagã, O Que Diz a Bíblia e 7 Alternativas Cristãs

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